quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Militante do PSOL denuncia corrupção na Câmara Municipal

Contrato foi feito sem licitação pelo ex-presidente da Câmara; CPI investiga gastos na gestão de Lindonberk Silva.

Claudião Jatobá foi o autor da denúncia.
Um serviço pago pela Câmara de Pontal em 2010, durante a presidência de Lindonberk Mário da Silva (PMN), ainda não foi realizado. O contrato sem licitação, no valor de R$ 7.680, firmado com a empresa Dirhector Locação de Bens e Filmagens Ltda., para a implantação de um home TV na internet, narrando a história política da cidade, será investigado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), instalada às vésperas do recesso, que já apura as contas do ex-presidente. (Leia abaixo)

A CPI averigua supostas irregularidades na gestão de Lindonberk, que, durante os dois anos que presidiu a Casa de Leis, gastou mais de 90% do orçamento - estimado hoje em R$ 2 milhões -, enquanto os gastos da atual gestão não chegaram a 50%.

As denúncias foram feitas pelo motorista Cláudio Pereira dos Santos. "Em uma singela leitura das contas da Câmara no site do Tribunal de Contas (TCE), observei uma grande discrepância entre os gastos da atual Mesa Diretora e da anterior. Então, resolvi questionar, já que nenhum vereador confirma grandes investimentos no período", afirmou, emendando que solicitou ao Legislativo que encaminhe o caso para o Ministério Público.

O denunciante é filiado ao PSOL, mas diz que seu interesse é apenas cívico. "Não existe rixa, meu objetivo é só para que a população não seja feita de trouxa por alguns políticos e para que não haja farra de gastos públicos e contratos suspeitos", alegou.

Segundo Santos, o proprietário da empresa contratada em 2010, Hector Ernesto Sanhueza Caceres, foi assessor de Lindonberk no mesmo ano. Procurado por A Cidade, Caceres declarou que não se manifestará por orientação de seu advogado.
Já Lindonberk enfatizou que Caceres nunca foi seu assessor, apenas prestou serviço a ele durante a campanha que concorreu a deputado federal.

A Cidade teve acesso a uma declaração supostamente de Caceres, em que o contratado confirma ter emitido nota fiscal e destaca ter procurado Lindonberk cinco vezes, tendo sido informado que não era mais necessário prestar o serviço. Meses depois - ainda segundo o documento -, em meados de dezembro, o profissional teria sido procurado pelo presidente, que lhe entregou o material necessário para o serviço e "só não realizou neste ano de 2012, por saber que a administração da Câmara mudou e estou aguardando ser chamado pela atual mesa para prosseguir". Caceres não confirmou se a declaração é verdadeira.

Outro Lado

O ex-presidente da Câmara de Pontal Lindonberk Mário da Silva (PMN) classifica as denúncias como "políticas e eleitoreiras" e afirma que registrará um boletim de ocorrência contra o denunciante por estelionato.

"Ele quer dinheiro, tentou me subornar, vive de favor", disparou.

Sobre o contrato, o ex-presidente alegou que pagou pelo serviço antes da realização porque não poderia deixar restos a pagar no fechamento das contas do ano. "Sabia que demoraria, porque eram necessárias pesquisas, mas não tanto", diz. Lindonberk justificou os gastos do orçamento com "investimentos". "Comprei carro, ares-condicionados, reservatório de água. Dei toda a estrutura necessária para a Câmara. É claro que, quando se pega algo sanado, se economiza mais", avaliou, emendando que o TCE (Tribunal de Contas do Estado) aprovou suas contas de 2009.

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